Pesquisadores da University College Cork, na Irlanda, identificaram que o café altera a composição de bactérias no intestino e afeta funções cognitivas e emocionais. O estudo foi publicado em maio de 2026 em uma revista científica de alto impacto. A investigação comparou 62 participantes e mostrou que tanto o café com cafeína quanto o descafeinado modificam bactérias específicas do sistema digestivo.
A pesquisa revelou que o consumo regular de café promove mudanças na flora intestinal de quem bebe a bebida com frequência. Os cientistas detectaram níveis mais altos de bactérias específicas no intestino dessas pessoas. O estudo demonstrou que o café molda a composição das bactérias intestinais, afetando diretamente aspectos emocionais e cognitivos, incluindo humor, estresse, atenção e memória.
Os pesquisadores buscaram preencher uma lacuna sobre como o café impacta a comunicação entre o intestino e o cérebro. Essa conexão representa uma via de mão dupla entre o microbioma intestinal e o sistema nervoso. O café já era associado há muito tempo a benefícios para a saúde digestiva e mental, mas as razões biológicas por trás desses efeitos ainda não eram totalmente compreendidas.
As alterações no microbioma intestinal ocorrem devido aos compostos presentes no café. Esses componentes interagem com as bactérias do sistema digestivo, modificando tanto a atividade coletiva dos micróbios quanto os metabólitos que eles utilizam. Isso resulta em mudanças na comunicação entre o intestino e o cérebro.
Como o estudo foi feito
Os pesquisadores compararam 62 participantes divididos em dois grupos: 31 pessoas que bebiam café regularmente e 31 que não consumiam a bebida. Os consumidores de café foram definidos como pessoas que costumavam beber de três a cinco xícaras por dia, quantidade considerada segura e moderada por autoridades de segurança alimentar.
Os participantes passaram por avaliações psicológicas, registraram a dieta e a ingestão de cafeína, e forneceram amostras de fezes e urina. No início do experimento, os consumidores regulares pararam de tomar café por duas semanas. Durante esse período, os pesquisadores continuaram coletando amostras e monitorando a saúde mental dos participantes.
A pausa levou a mudanças claras nos metabólitos produzidos pelos micróbios intestinais. Depois da fase de abstinência, o café foi reintroduzido gradualmente. Metade dos participantes recebeu café descafeinado e a outra metade consumiu café comum. Eles não sabiam qual tipo estavam tomando.
O que foi encontrado
A análise identificou bactérias específicas mais abundantes entre os consumidores de café. Os níveis dessas bactérias eram mais altos entre aqueles que bebiam a bebida regularmente. Esses micróbios estão associados à produção de ácidos no sistema digestivo e à síntese de ácidos biliares, o que pode ajudar a proteger contra bactérias nocivas.
Ambos os grupos relataram melhora no humor, incluindo níveis mais baixos de estresse e impulsividade. Os resultados sugerem que o café pode melhorar o humor mesmo sem cafeína. As melhorias em aprendizado e memória foram observadas apenas nos participantes que beberam café descafeinado.
O café com cafeína apresentou vantagens distintas. Apenas os participantes que consumiram cafeína tiveram redução da ansiedade. Eles também apresentaram melhora na atenção e no estado de alerta.
O que os pesquisadores concluíram
O estudo não esclarece completamente todos os mecanismos moleculares pelos quais os compostos do café interagem com o microbioma intestinal. Os pesquisadores identificaram as bactérias alteradas e os efeitos cognitivos observados, mas os processos bioquímicos detalhados ainda exigem mais investigação.
A descoberta sugere que compostos além da cafeína, como os polifenóis, podem ser responsáveis por certos benefícios cognitivos. O café pode ser considerado como parte de uma dieta saudável e equilibrada para quem busca melhorar o equilíbrio digestivo.
Um dos autores do estudo explicou que o interesse público pela saúde intestinal cresceu enormemente. A relação entre saúde digestiva e saúde mental está sendo cada vez mais compreendida, mas os mecanismos por trás dos efeitos do café nessa conexão entre intestino e cérebro permaneciam pouco claros.
Ele acrescentou que o café é mais do que apenas cafeína. É um fator alimentar complexo que interage com os micróbios intestinais, o metabolismo e o bem-estar emocional. Os resultados sugerem que o café, com ou sem cafeína, pode influenciar a saúde de maneiras distintas, mas complementares.
